Diante de um auditório com 5 mil convidados, o governador José Serra fez hoje à tarde o discurso de despedida do cargo. Emocionado, ele rebateu críticas que costumam ser associadas ao seu perfil político.”Este é um governo de caráter, não cedeu à demagogia, a soluções fáceis e erradas para problemas difíceis, nem se deixou pautar por particularismos e mesquinharias. Sou considerado um grande obsessivo, mas minha grande obsessão foi servir aos interesses gerais do meu estado e do meu país. Estou convencido de que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. Assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Mas porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”, disse, sendo aplaudido pela plateia. Serra afirmou ainda estar preparado para uma nova etapa e se despediu: “Vamos juntos, o Brasil pode mais”.
O depoimento de Vaccari no Senado; a repercussão ao lançamento do PAC2 e o voto de aplauso ao jornalismo investigativo. Leia mais
O Banco Central revisou para cima a previsão para a inflação neste ano. Segundo Relatório de Inflação divulgado hoje, a expectativa é que o índice encerre 2010 em 5,2%. O último relatório, de dezembro, sinalizava alta de um ponto percentual acima da meta para este ano (4,6%). O documento aponta um cenário com base nas projeções dos juros e câmbio projetadas pelo mercado.
O presidente Lula empossou hoje dez novos ministros de Estado que assumem o primeiro escalão do Executivo Federal em substituição aos titulares, que são obrigados a deixar suas pastas para poderem se candidatar nas eleições de outubro. Além da ministra Dilma Rousseff, deixam o governo os titulares da Agricultura, Previdência, Comunicações, Desenvolvimento Social, Minas e Energia, Igualdade Racial, Transportes, Integração Nacional e Meio Ambiente. Dez governadores também vão passar o posto para seus vices até 3 de abril, prazo limite do TSE.

Líder nas pesquisas de intenção de votos, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apresentará logo mais, às 15 horas, um balanço de seus três anos e três meses de gestão. O evento, que marca a saída do governo e o lançamento da candidatura à presidência da República, reunirá o secretariado e aliados de Serra no Palácio dos Bandeirantes.
A nova ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, será convocada a prestar esclarecimentos no processo que investiga a confecção de um dossiê com gastos do governo FHC. Erenice, que assume hoje no lugar de Dilma Rousseff, e outras seis pessoas serão ouvidas pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal. Depois de um ano e três meses suspensa, a investigação será retomada com acareação e novos depoimentos. Segundo a Folha de S.Paulo, foi Erenice, como secretária-executiva da Casa Civil, quem mandou confeccionar o dossiê. O MPF encaminhou ofício à Justiça, pedindo que, em 90 dias, a polícia faça acareação entre duas pessoas que já prestaram depoimento e interrogue sete, entre elas, Erenice.
A “prateleira de projetos” do PAC 2, apresentada anteontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inflou os investimentos com obras no setor de energia e incluiu pelo menos uma usina sem chances de sair do papel. O governo pôs na lista de obras uma hidrelétrica a construir dentro de uma reserva ambiental que o próprio presidente criou. A hidrelétrica de Tabajara, na região amazônica, com previsão para produzir 350 megawatts , teve seu processo de avaliação paralisado depois que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, conseguiu mostrar que o projeto afetaria diretamente o Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O parque foi criado por decreto presidencial em junho de 2006.